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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Natália Prado - Biografia de Carlos Drummond de Andrade.

Drummond nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. Vindo de uma família de fazendeiros em decadência, estudou em Belo Horizonte  com os jesuítas no Colégio Anchieta no RJ, onde foi expulso por “insubordinação mental”. Novamente em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas.
Havia muita insistência familiar para que tivesse um diploma, então formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond. Enquanto ironiza os costumes e a sociedade, de forma satírica em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.
Alvo de admiração, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Drummond morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.
      
                                                           


Inconfesso Desejo 

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

Carlos Drummond de Andrade

Lorraine Bim - O que foi o Modernismo na poesia? E a Semana da Arte Moderna em 1922.


O modernismo brasileiro foi desencadeado a partir da década de 1920, mas precisamente em 1922 com a Semana da Arte moderna. Esse movimento foi dividido praticamente em 2 fases. A primeira foi repleta de desenhos de Tarsila, artigos em favor da língua Tupi de Plínio Salgado e outros “atrativos.” Já a segunda fase foi a que marcou a poesia e a prosa brasileira com o modernismo. Os poemas eram feitos com mais liberdade de expressão e de escrita, feitos com versos livres e não era necessária a rima. Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos e outros escritores criaram um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem tradicional, nos quais puderam incorporar a real linguagem regional, as gírias locais. Foi palco para artistas como Carlos Drummond, Mário de Andrade e Vinicius de Moraes.  


Na verdade, o modernismo foi uma espécie de antecedente do que viria a ser a Poesia Contemporânea. Que poderia ser definida, como aquela que nos possibilita sentir o mundo com um olhar único, não somente como algo grande que nós fazemos parte. Apontando seus erros e criticando, se necessário, suas falhas. Exemplo de poema do modernismo, é “O Bicho”, de Manuel Bandeira:

 O Bicho


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

 - Manuel Bandeira


Todo o processo que envolveu o modernismo foi essencial para que poetas conquistassem a liberdade para se expressar, de maneira a citar através de versos seus pensamentos mais pessoais. 



Jéssica Cristina - Clarice Lispector


Um pouco sobre a história de Clarice:
Clarice nasceu na Ucrânia, e era judaica. Então, por causa das perseguições feitas na época de Hitler seus pais vieram para o Brasil quando ela tinha 2 meses. Mesmo tendo nascido em outro país, sempre dizia que sua pátria era o Brasil. Começou a escrever poemas desde que aprendeu a ler. Quando grande, tentou fazer faculdade de advocacia, mas ficou frustrada com as teorias ensinadas, então ela descobriu seu amor por literatura.  Casou-se com um diplomata, e por isso teve de morar em outros países, como a Itália, da qual foi voluntaria da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Separou-se do marido e voltou para o Rio de Janeiro com seus dois filhos, e enquanto dormia com um cigarro acesso, colocou acidentalmente fogo na casa, e ficou hospitalizada por dois meses entre a vida e a morte. Então foi para uma convenção de Bruxas na Colômbia, aonde depois de chegar ao Brasil ficou conhecida como ‘’a grande bruxa da literatura brasileira’’, seu próprio amigo Otto Lara Resende disse sobre a obra de Lispector: "não se trata de literatura, mas de bruxaria.”. Em 1977 descobriu que tinha um câncer no ovário, e então morreu.

Biografia de Clarice:
Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Mas, com suas crônicas, se juntasse tudo, dava-se para entender um pouco mais sobre ela. Então aqui estão partes pequenas em que a própria autora tenta se descrever.
‘’... Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais. Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. ‘‘.
 “Sou o que se chama de pessoa impulsiva”. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. ’’
“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”
‘’Dizem que sou intelectual, mas isso não sou. Ser intelectual é usar, sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. ‘’
 “Sou tão misteriosa que não me entendo.”
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida”. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra’’.
Como se vê, Clarice era uma pessoa indecifrável, do qual só seus amigos realmente a conheciam. Clarice Lispector deixou de ser um nome para ser um fenômeno de nossa literatura. 

Um pouco de sua obra:
 Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... Continuarei a escrever

... Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
 ...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda
Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... 
Ou toca, ou não toca.
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.